A alegria me remete à sensação de ver o mar depois de muito tempo, aquela sensação de olhar pro horizonte, respirar o cheiro da maresia, começar a tirar a roupa devagar, aproveitando cada instante da sensação de tirar o mundo das costas, sair correndo pela faixa de areia, entrar no mar avidamente, sentindo o gelado do mar tomar conta do corpo inteiro e mergulhar de cabeça na onda mais perfeita, aqueles instantes de apnéia são mágicos, a sensação de voltar a respirar também...
Me lembra das gargalhadas dos meus amigos, das conversas sobre inutilidades e irrelevâncias que duravam horas... Dos abraços longos, das noites mal dormidas, das lagrimas de felicidade por termos entrado na faculdade pra fazer aquele curso que a gente tanto queria, de cantar desafinadamente uma música bonita e saber que somos aquilo que podemos ser e não o que devemos....
Faz eu pensar em bolo de chocolate num dia de chuva gostoso, aquele cheirinho invadindo a casa e dando a certeza de que minha mãe sempre vai cuidar e gostar de mim, mesmo que todos deixem de gostar, lembra do colo dela enquanto assistimos tranquilamente um filme bobo durante a tarde, lembra do consolo e da sabedoria que ela sempre transmite, dos tantos lenços que ela desperdiçou secando as minhas lágrimas e dizendo que no final tudo acabaria bem...
Lembra do cheiro de orvalho as 5:30h da manhã, quando você coloca a cabeça para fora da janela do quarto do sítio só para sentir o mato molhado, as plantas e animais acordando levemente enquanto o dia se espreguiça tranquilamente. Faz pensar no conforto de uma coberta de penas pesada me aquecendo numa noite gelada, do chimarrão com os parentes, do café recém passado na xícara. Lembra o vapor que a gente solta quando está na rua em um dia muito frio, da pontinha do nariz congelado que está para fora do capuz da jaqueta. Lembra o céu azul de um dia frio, e de como ele parece tão mais azul do que em um dia normal.
Lembra de borboletas pousando delicadamente no livro que estamos lendo no parque, e de como ficamos maravilhados de como um animalzinho tao delicado e frágil pode ser uma das criaturas mais belas na natureza toda. É como deitar no gramado e olhar o céu e ficar imaginando desenhos em nuvens. É mordida em uma fruta madurinha e doce, e escorrendo o sumo pelo canto da boca. É como comer manga segurando-a com as mãos e sentir o suco escorrer pelos braços. Beber água gelada num dia muito quente. Prato de arroz com feijão na hora da fome.
É a sensação que dá o amor que não espera nada de nós, além de que sejamos nós mesmos. A sensação de levitar à simples menção do nome da pessoa amada. É aquela sensação de ser beijado com desejo, de ser amado por inteiro, de ser abraçado com força. É a certeza de que vai durar tempo o suficiente para ser aproveitado. É vontade de não fazer mal a ninguém, é vontade de que exista um deus que tenha pensado em tudo isso. É, mesmo que por alguns momentos, sentir-se pleno e completo e saber que existe um lugar no mundo para chamar de seu, mesmo que esse lugar seja o próprio corpo.

3 comentários:
caramba quantas dessas pequenas coisas que eu já vivi...sinto muitas saudades de tudo isso, das pequenas coisas que nos alegram, ao ler seu post...
to sem palavras...
lindo...
me fez me sentir feliz tbm ;D
hey esqueci de dizer, amei a foto da borboleta, eu postei ela muito antigamente no meu flog...linda linda
Aiii Dayse, que lindo!
Fiquei me imaginando ali tbm... (principalmente na parte da música mal cantada, e do banho de chuva) xD
Não tenho o que dizer, simplesmente adoro os seus textos!
A clareza com que escreve, a coesão, a profundidade e a emoção, que tornam o "trivial" uma coisa mágica, única...
Parabéns!
Ps: Já disse que sou sua fã? Quando crescer quero ser como vc! hehehe
Continue escrevendo e eu continuarei lendo ;D
Beijos mil! ♥
Postar um comentário