segunda-feira, 19 de abril de 2010

Igualdade

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio
- Caetano Veloso

Pra quem não sabe, hoje, 19 de abril, é o dia do Índio, que me lembro com nostalgia da época da escola, das pinturas no rosto, das penas de papel que coloríamos na classe, era fantástico. Mas não é dos índios exatamente que eu quero falar...

Coloquei esse trecho de uma das minhas músicas prediletas, do incrível Caetano Veloso, onde ele diz que nos surpreende, não aquilo que é exótico, mas aquilo que nos é óbvio e está oculto. Quantas vezes desprezamos aqueles que são tão iguais a nós, mas os julgamos diferentes por causa do formato dos olhos, da cor da pele, do gênero, da orientação sexual, dos seus vícios ou costumes?

O problema do ser humano é a cegueira para reconhecer outro ser humano. Criamos um hábito tão arraigado que temos uma sacola cheia de rótulos onde etiquetamos as pessoas por determinada característica e depois as atiramos nas bacias no comum. Existem várias classificações: negros, brancos, fumantes, não fumantes, alcoolatras, depressivos, doentes, drogaditos, roqueiros, macumbeiros, ateus, cristãos, maloqueiros, homens, mulheres, crianças, xiitas, comunistas, capitalistas e por aí vai.

E onde ficam as pessoas no meio de tantas classificações? Quem já parou para ouvir a opinião individual de alguém que pertence à algum grupo diferente daquele à qual você pertence? Quando paramos para falar com alguém que faz parte de um grupo totalmente diferente do nosso, percebemos que elas continuam pessoas e que se identificam conosco, que possuem demônios internos tão cruéis quanto os nossos, que têm anseios e esperanças como nós. Isso nos torna tão iguais, que chega a ser ridículo fazermos questão de estarmos em ambientes hermeticamente fechados impedindo a influência de outros grupos e filosofias.

A riqueza está no coletivo, e até que ponto queremos aprender com o coletivo? Como podemos nos tornar mais sábios se não queremos aprender com outras sabedorias e conhecimentos, não falo de irmos peregrinar no Tibet, desvendar os mistérios dos Astecas, fazer duzentas especializações, não que essas coisas não sejam absolutamente interessantes, mas quanto conhecimento você já tirou do Zé da Pipoca, do homem que varre a rua, do porteiro do prédio, daquele vizinho idoso que sequer sabe o nome? Esses têm tanto para ensinar, mas fazemos questão de esquecer que experiência de vida é uma sabedoria única que não se aprende sem contato e sem troca, e perdemos isso quando estamos encarceirados no individualismo.

Temos que ter certas coisas na cabeça para podermos bradar que todos somos iguais. Até qual ponto você crê nesta afirmação?

Acho que é isso, ando pensativa com certas coisas...

Aí vai uma música veeeeeeeelha, de um cara que já foi famoso, se alguém se interessar...



http://www.youtube.com/watch?v=g8v5twPc-io&feature=related

2 comentários:

Ana disse...

Flor...Acho teu texto muuuuuito interessante, porque tem a ver com muitas coisas que ando pensando.
"Você não enxergaria o óbvio nem que estivesse na frente do seu nariz" (acho que é de um filme essa frase), mas somos tão burros, não vemos o que nos une, o que nos torna uma espécie, uma classe, vemos apenas o que nos separa, o que nos afasta, o que nos faz melhor ou pior, comparamos, baseados no que queremos acreditar, mas e aí quando vc acorda e vê que não é bem assim que as coisas são?
Sem dúvida, é extremamente importante olhar para os outros com o olhar de quem pergunta de quem anseia conhecer e não de quem acha que conhece.
Quanto mais estudamos mais burros ficamos, se nos esquecemos de conversar e tentar compreender, empatizar com o individuo. Se, ao invés disso, vemos os seus sintomas e olhamos nun caderno a qual doença se referem, bom somos grandes estupidos, que ainda creem que são dignos e éticos. Tantos anos de estudos pra quê?
O que importa é, no nosso caso e em qualquer lugar, é não generalizar, é ter conhecimneto de uma teoria, se basear nela, mas não tomá-la como dogma, mas algo para facilitar e cientifizar o atendimento, sem nunca nos esquecermos de que aquele individuo é uma pessoa, com todas as suas particularidades.

bjubju

PS: Adoro essa música!

Alexandre disse...

gostei do texto...bem interessante o ponto de vista exposto nele...me fez lembrar uma citação "AUTO PROTEÇÃO um jeito de se proteger a si mesmo...as pessoas expõe as fraquezas que as afligem e assim formam grupos...quando vão ver começam a excluir quem não é uma delas...mais o que acontece com os quem são excluídos?"
o mundo social é recheado por grupinhos e panelinhas....pessoas agem de forma diferente quando estão em grupo isso é FATO...o covarde criar coragem quando está em grupo
enfim gostei bastante ^^)

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Estava aqui dando bons conselhos a mim mesma...

Alice no País das Maravilhas